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terça-feira, 19 de outubro de 2010

William Shakespeare

Shakespeare é considerado o mais importantes dramaturgo e escritor de todos os tempos. Seus textos literários são verdadeiras obras de arte e permaneceram vivas até os dias de hoje, onde são retratadas freqüentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura.


Nasceu em 23 de abril de 1554, na pequena cidade inglesa de Stratford-Avon. Nesta região começa seus estudos e já demonstra grande interesse pela literatura e pela escrita. Com 18 anos de idade casou-se com Anne Hathaway e, com ela, teve três filhos. No ano de 1591 foi morar na cidade de Londres, em busca de oportunidades na área cultural. Começa escrever sua primeira peça, Comédia dos Erros, no ano de 1590 e termina quatro anos depois. Nesta época escreveu aproximadamente 150 sonetos.


Embora seus sonetos sejam até hoje considerados os mais lindos de todos os tempos, foi na dramaturgia que ganhou destaque. No ano de 1594, entrou para a Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, que possuía um excelente teatro em Londres. Neste período, o contexto histórico favorecia o desenvolvimento cultural e artístico, pois a Inglaterra vivia os tempos de ouro sob o reinado da rainha Elisabeth I. O teatro deste período, conhecido como teatro elisabetano, foi de grande importância. Escreveu tragédias, dramas históricos e comédias que marcam até os dias de hoje o cenário teatral.


Os textos de Shakespeare fizeram e ainda fazem sucesso, pois tratam de temas próprios dos seres humanos, independente do tempo histórico. Amor, relacionamentos afetivos, sentimentos, questões sociais, temas políticos e outros assuntos, relacionados a condição humana, são constantes nas obras deste escritor.


Em 1610 retornou para Stratford, sua cidade natal, local onde escreveu sua última peça, A Tempestade, terminada somente em 1613. Em 23 de abril de 1616 faleceu o maior dramaturgo de todos os tempos.


Principais obras:


Comédias: O Mercador de Veneza, Sonho de uma noite de verão, A Comédia dos Erros, Os dois fidalgos de Verona, Muito barulho por coisa nenhuma, Noite de reis, Medida por medida, Conto do Inverno, Cimbelino, Megera Domada e A Tempestade..


Tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Julio César, Macbeth, Antônio e Cleópatra, Coriolano, Timon de Atenas, O Rei Lear, Otelo e Hamlet.


Dramas Históricos: Henrique IV, Ricardo III, Henrique V, Henrique VIII

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Literatura Portuguesa Modernismo parte II

Teixeira de Pascoaes


            Figura central do Saudosismo, é considerado dos maiores poetas da primeira metade do século XX em Portugal. Traz pouca influência do Simbolismo e, ao mesmo tempo, alheia-se das novas inquietações que farão o Modernismo, justamente por afinar-se com o espírito romântico. Para ele, tudo se concentra num sentimento difuso, vago e agridoce, da Saudade, de que deriva um estado místico e metafísico ao mesmo tempo, porque a Saudade tem nele um sentido etéreo, inespacial e intemporal. É poeta comparado a grandeza de Camões e Antero de Quental, segundo alguns críticos mais entusiastas. Escreveu extensa obra em poesia, prosa (biográfica e doutrinária) e teatro.
            Marânus é sua obra mais conhecida. Constitui-se de dezenove cantos, composto em decassílabos brancos e rimados. O tema é Marânus, figura mítica entre visionário e iluminado, que trava contínuos diálogos com símbolos ou seres sobrenaturais, como Eleonor, a Saudade, a Primavera, a Montanha, o Outono, etc. Veja um trecho de Marânus.

Marânus e Eleonor



Marânus era o ser que divagava,
Consigo, pelo mundo solitário.
A sua própria alma o alimentava
E dava-lhe a beber das suas lágrimas.

Empecera-lhe a noite. E, desde então,
Rodeado de espantos e de assombros,
Vive numa perpétua inquietação.

Falho de ânimo e pobre de esperança,
Apenas o salvou da negra morte
Esta misteriosa simpatia,
Que, semelhante à tua lira, Orfeu,
Às feras enternece e a luz do dia!
Atrai as selvas virgens que murmuram,
Os inertes penedos taciturnos
E as estrelas o céu que nos procuram,
Com seus olhos de eterna claridade.



            Neste poucos versos pode-se perceber a substância da tradição poética portuguesa: uma faceta romântica (e, portanto, Simbolista) e outra realista.

O Orfismo


Em 1915, surge outra revista, a Orpheu, que foi a mais importante, embora tenha tido apenas dois números (trimestrais), sendo que o terceiro não chegou a ser impresso. Nela foram publicados textos mais voltados para a concretização dos novos ideais estéticos (que floresciam em toda a Europa) que influenciaram as gerações seguintes.
Orpheu é o resultado da convivência de jovens artistas que se reuniam em cafés de Lisboa e buscavam trocar informações e experiências, cujos objetivos eram a revolução e a atualização da cultura portuguesa. Nessa revista se vê, ao mesmo tempo, valores decadentistas (Simbolistas) e vanguardistas (Futuristas e Cubistas). Dentre outros, participaram da revista Orpheu Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Luís Montalvor e o brasileiro Ronald Carvalho.


Mário de Sá-Carneiro


            Nasceu em Lisboa em 1890. Filho único de um engenheiro, perdeu a mãe com dois anos de idade. Terminados os estudos secundários, segue para Paris em 1912, com a intenção de seguir o curso de Direito. Nesse mesmo ano, publica um livro de contos, Princípio, e começa a escrever poesia. Em 1914, de férias em Lisboa, junta-se a Fernando Pessoa e aos demais jovens que viriam a lançar o Orpheu (1915), e publica Dispersão e A confissão de Lúcio. De regresso a Paris, entra numa profunda crise financeira e moral que o acaba arrastando ao suicídio, em 26 de abril de 1916. Escreveu poesia (Dispersão, 1914; Indícios de Oiro, 1937), prosa poética (Princípio, 1912; Céu em Fogo, 1915; A confissão de Lúcio, 1914) e teatro (Amizade, 1912, em colaboração com Tomás Cabreira Jr.).

       Dispersão




Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).


O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismastes nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus
Mas fechou-se saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projeto:
Se me olho a um espelho, erro –
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada.
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim choro, da vida,
A morte da minha alma.(...)



            Mário de Sá-Carneiro, oposto a Fernando Pessoa, cultiva o subjetivismo, o egocentrismo. Dispersou-se no labirinto de seu próprio eu, como se nota no fragmento poético acima. A singularidade de sua obra consiste no sentimento de estranheza e inadaptação do eu frente ao mundo, traço presente tanto em sua obra em prosa quanto em verso, refletindo a si mesmo.

QUASE




Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
 ............................................................ Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...



Literatura Portuguesa-Modernismo Parte I

Modernismo (1915 - .......... )

Contexto histórico - origem


            O Modernismo realizou-se de diferentes formas em cada país Europeu. Não obstante, todos os artistas foram influenciados por um clima de pressão que precedeu a Primeira Guerra Mundial, e continuou exercendo forte impressão mesmo depois de seu término, por suas consequências e pelos temores que despertou no homem. Veja outras novidades do início do século XX:
·      Freud:  - técnicas de penetração no inconsciente por meio da livre associação de ideias e imagens; o homem sem máscara, nu diante do espelho, busca a verdade.
·      Bérgson: importância da intuição e os limites das análises científicas na escavação do “eu profundo”.
·      Transformações: emancipação da mulher; amor à velocidade; humor reflexivo de Chaplin; as sequelas da 1a. Guerra Mundial; conflitos e aumento da classe proletária; é a hora do jazz, do charleston, do fox-trot; o comprimento das saias diminuem.
·      1945: a bomba de urânio desaba sobre Hiroshima e Nagasaki.
·      Modernismo: era da máquina; do aprofundamento psicológico; da anarquia; da irreverência; do hermetismo poético, na tentativa de ser claro.

Assim, surgiram vários movimentos artísticos, denominados de Movimentos de Vanguarda, trazendo consigo traços em comum, como o sentimento de liberdade criadora, o desejo de romper com o passado (os padrões), a expressão da subjetividade e certo irracionalismo. A maioria desses Movimentos de Vanguarda centralizavam-se em Paris, e de lá expandiam-se para o mundo. Os principais Movimentos de Vanguarda foram:

Movimentos de vanguarda


a)      O Cubismo: valorização das formas geométricas. Desenvolveu-se sobretudo na pintura, a partir das experiências de Pablo Picasso e Georges Braque, e consistia na ideia da representação de vários ângulos do cotidiano. Na literatura, o Cubismo é expresso pelo ilogismo, linguagem mais ou menos caótica, simultaneidade de fatos e espaços, fragmentação da realidade como se fossem flashes cinematográficos.

b)      O Futurismo: Liderado por Marinetti, o Futurismo é difundido por meio de manifestos e conferências; tem propostas de caráter violento e radical; desejo de abolir o passado e reformular técnicas e temas de Arte. Sintonizado com a temática da guerra, o Futurismo propôs uma Arte dinâmica, com uma imagem veloz do progresso mundial.

c)      O Expressionismo: importava pouco as noções de belo ou de feio; o essencial era o registro das expressões do mundo, segundo uma leitura do artista. Admitia uma imagem distorcida, semelhante à caricatura. Destacam-se algumas das principais propostas Expressionistas:

1. A arte não é imitação, mas criação subjetiva, livre. A arte é expressão dos sentimentos.
2. A realidade que circunda o artista é horrível, por isso ele a deforma ou a elimina,criando a arte abstrata.
3. A razão se torna objeto de descrédito.
4. A arte é criada sem obstáculos convencionais, o que representa um repúdio à repressão social.
5. A intimidade e a vivência da dor derivam do sentido trágico da vida e causam uma deformação significativa, torturada.
6. A arte se desvincula do conceito de belo e feio, torna-se uma forma de contestação.

Na literatura, o Expressionismo apresenta linguagem fragmentada, constituída por frases nominais (ausência de verbos), sem sujeito; despreocupação formal: sem rimas, sem estrofes, sem musicalidade. Veja um exemplo de poesia expressionista, do alemão Wilheim Klem:



Cantos e metrópolis, lavinas febris,
Terras descoradas, pólos sem glória,
Miséria, heróis e mulheres da escória,
Sobrolhos espectrais, tumulto em carris.

Soam ventoinhas em nuvens perdidas.
Os livros são bruxas. Povos desconexos.
A alma reduz-se a mínimos complexos.
A arte está morta. As horas reduzidas.
d)     O Dadaísmo: movimento nascido de intelectuais “fugidos da guerra”, o Dadaísmo é criado por André Breton e Tristan Tzara a partir do clima de instabilidade, medo e revolta provocado pela 1a Guerra. Daí seu tom de deboche, irreverência, agressividade e ilogismo de textos. Pretendia provocar escândalo e surpresa, destruir o bom senso, romper com o equilíbrio. Veja um trecho do Manifesto Dadá, de 1918:
“Para lançar um manifesto é preciso querer: A.B.C., fulminar 1, 2, 3, enervar e aguçar as asas para conquistar e espalhar pequenos e grandes a, b, c, assinar, gritar, blasfemar, arrumar a prosa sob uma forma de evidência absoluta, irrefutável (...)  Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios. (...)
Receita dadaísta para fazer um poema
no último manifesto do Dadaísmo – Manifesto sobre o Amor Fraco e o Amor Amargo - , lido em Paris em 12/12/1920, Tristan Tzara propõe:

Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

a)      O Surrealismo é criado por Breton, dissidente do Dadaísmo, em 1924. É um movimento ligado ao subconsciente e à psicanálise, marcado pelas experiências criadoras automáticas (extravasamento dos impulsos criadores do subconsciente) e imaginário extraído do sonho. Por isso mesmo, põe em segundo plano o pensamento sensível, racional e consciente. Em Portugal, o Surrealismo ganhará força a partir de 1947, quando é formado o Grupo Surrealista de Lisboa.





O Modernismo em Portugal


            O Modernismo em Portugal se inicia em 1915, com a publicação da revista Orpheu. Historicamente, vive-se a Primeira Guerra Mundial e, paralelamente, os movimentos de vanguarda artística suscitados pelos sentimentos decorrentes da crise mundial. Particularmente em Portugal, vive-se um período de crise na Monarquia a partir de 1908, quando o assassinato do rei D. Carlos e de seu filho culminam na Proclamação da República, em 1910.
            As discussões políticas e econômicas decorrentes da instauração da República reacendem o espírito nacionalista e saudosista do povo português, levando vários artistas a lançarem um projeto de reconstrução da cultura nacional.
            Tal projeto é levado a efeito em 1910, com a criação de revistas como A Águia, dirigida por Teixeira de Pascoaes e Jaime Cortesão, contando com a colaboração de Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa.


SAUDOSISMO

Movimento literário, de caráter essencialmente poético, inserido na atividade da sociedade portuense "Renascença Portuguesa" (fundada por Jaime Cortesão, Álvaro Pinto, Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra), e cujo órgão foi a revista "A Águia", propriedade da sociedade a partir de 1912 (2ª série). A Sociedade "congregou muitos espíritos animados no desejo de, agindo no plano da cultura, promover a reconstrução do País, minado pelas dissenções políticas que a instituição da República não viera sanar". Pascoaes (mentor do grupo), afirmou que "o movimento da Renascença Portuguesa se faz e fará dentro da Saudade revelada, a qual se ergue à altura duma Religião, duma Filosofia e de uma Política. Dentro dela Portugal, sem deixar de ser Portugal, poderá realizar os maiores progressos de qualquer natureza." O Saudosismo foi assim encarado como uma atitude perante a vida que definia a "alma nacional" em todo o seu idealismo transcendentalista. A obra "O Encoberto"(onde o autor Sampaio Bruno se debruça sobre a decadência dos povos peninsulares) foi talvez a obra impulsionadora desta nova tendência.
  Pascoaes, apoiado por Leonardo Coimbra, preconizou também um Portugal agrário, uma organização municipalista e uma Igreja independente, e identifica o Saudosismo como sendo um Sebastianismo esclarecido, revelado pelos novos poetas.
 Fernando Pessoa, colaborador da "Águia", afirma que os poetas saudosistas anunciam o pensamento da "futura civilização europeia", que corresponderia à "civilização lusitana", e é neste clima de exaltação sebastianista que escreve "Mensagem".
 A nova tendência, no entanto, como doutrina político-social, não satisfazia os espíritos positivistas, e os dois sócios da "Renascença Portuguesa" - António Sérgio e Raul Proença - acabam por manifestar o seu desagrado na revista, acusando Pascoaes de "utópico e passadista, fechado num lusitanismo xenófobo, provinciano, incompatível com o moderno espírito europeu", gerando bastante polêmica no seio do grupo. No entanto, foi essa dissidência que haveria de conduzir ao aparecimento de "Seara Nova".
 Todos os poetas que colaboraram em "A Águia" se podem definir como neo-românticos à exceção de Lopes Vieira e Afonso Duarte, o último modernista.: Este é um grupo de indivíduos intuitivos, expansivos, exclamativos, inclinados à oratória, oscilando entre o historicismo e o populismo, com um certo bucolismo e folclorismo, herdando dos românticos e simbolistas o gosto da paisagem crepuscular e outoniça. Quanto ao tipo de linguagem, os Saudosistas preferem uma expressão mais tradicional e clássica ("verso escultural" de Pascoaes), não se preocupando muito com a análise do subconsciente.

            O Saudosismo constituiu a linha de rumo dos filósofos que, dando primazia ao pensamento intuitivo criador de mitos ("quanto mais poeta mais filósofo"), procurando fundamentar uma filosofia genuinamente portuguesa ou, como alguns preferiam, galaico-portuguesa.

Literatura Inglesa

SÉCULO XIX (1ª PARTE)
AS LUZES E AS TREVAS DO ROMANTISMO
(CONTINUAÇÃO)
¢  POESIA


  1ª Geração Romântica : Willianm Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge.  (entusiasmo com a Revolução Francesa)

  2ª Geração Romântica: John Keats, Lord Byron, Percy Bysshe Shelley. (decepção com a Revolução Francesa)

¢  Lord George Gordon Byron (1788 – 1824)
-          Álvares de Azevedo (Brasil)
-          Goethe (Alemanha)
-          Balzac e Stendhal (França)
-          Dostoevsky (Rússia)
-          Melville (Estados Unidos

 
¢  Nasceu manco, fato com o qual nunca se conformou, seu pai era um playboy e sua mãe levemente insana. 
¢  Tornoú-se Lord Byron com a morte do tio; era excêntrico, a estrela dos salões ingleses e sai da Inglaterra para nunca mais voltar depois de uma série de escândalos.
¢  Acreditava na liberdade do indivíduo.
¢  1823 – se envolve na luta pela independência da Grécia, dedicando tempo e dinheiro, considerado herói até hoje naquele país.
¢  Morre aos 36 anos.

¢  São características de sua obra:
¢   Poemas curtos marcados pelo individualismo, tão característico do seu estilo

¢  Principais obras:
  Child Harold (1817)
  Don Juan – poema épico (1824)
  She Walks in a beauty (um de seus mais conhecidos poemas)

¢  John Keats (1795 – 1821)

¢  Era um menino pobre que teve a vida marcada por tragédias familiares como a morte do pai na queda de um cavalo e da mãe com tuberculose.
¢  Até os 18 anos, ainda não escrevia, mas quando começou demonstrou grande desenvoltura poética.
¢  Ultrapassou nomes como Shakespeare e Chaucer na arte da poesia.
¢  Morre aos 26 anos, fato que deixou muitos críticos duvidosos com relação à sua idade, pela qualidade artística de suas obras.

¢  Marcas em suas poesias:

  Uso de imagens  ressonância (propriedade de aumentar a duração e intensidade do som) ritmo.

  Mistura de sentidos explícitos e figurados (fundia visão, audição, paladar, olfato, tato , emoção)
  Curtos e odes.

SÉCULO XIX (2ª PARTE)
OS DOIS LADOS DO IMPÉRIO

¢  A Era Vitoriana
  Desde Elisabeth I, um regente não influenciou tanto sua época a ponto de dar nome a ela.
  Sob o reinado da rainha Vitória, a Inglaterra vive a ascensão, como potência mundial obtida com os feitos da Revolução Industrial e do Imperialismo.
  Revolução Industrial
            Longo processo iniciado na Europa Ocidental (1750) que viria a transformar quase todas as regiões do ocidente.

Antes da Rev. Industrial      Com a Rev. Industrial

Pequenas oficinas artesanais              Fábricas

Instrumentos básicos de produção    Máquinas

Fontes tradicionais de energia:
água, vento, força humana e              Carvão e eletricidade
animal
Campo                        Surgimento de grandes fábricas

REFLEXOS NA SOCIEDADE

¢  produção em massa de produtos
¢  cultura de consumo
¢  Aparecimento de jornais e revistas
¢  romance em fascículos
¢  luzes nas ruas

¢  O outro lado da Revolução Industrial:
  exploração do trabalhador
  miséria
  descaso com os pobres
O outro lado da RI foi tema de debate de vários pensadores
como Karl Marx e John Stuart Mill e de romancistas como
Charles Dickens.


Na sequência histórica houve:
-          Reação dos pobres (o século XIX foi palco de vários movimentos populares)
-          Reform Bill (Carta da Reforma) em 1832, aumentando a representação popular
-          “Cartismo” (1838) – movimento criado pela união de sindicatos, trabalhadores e radicais.
-          Em 1845 houve a aprovação (pelo parlamento) de leis que protegiam os trabalhadores.

A RAINHA VITÓRIA
¢  Alexandrina Vitoria Regina (1837- 1901)
¢  - Rainha aos 18 anos (com a morte do tio, o rei Willian IV)
¢  - A era Vitoriana se tornou sinônimo de pontualidade, sobriedade e sofisticação, até hoje características associadas ao povo Inglês.
¢  -1861 – morre seu marido, ela se isola e volta à cena pública alertada por seus conselheiros, se tornando uma das regentes mais populares da história da Inglaterra.
A SOCIEDADE VITORIANA
¢  Valores morais e religiosos.
¢  - Jogos, bebidas e fumo foram considerados impróprios para cavalheiros à vista de todos.
¢  - Prostíbulos e casas de jogos preenchiam a vida noturna dos arredores de Londres.
¢  - A imagem da mulher como frágil, prudente e fútil.

JACK, O ESTRIPADOR

¢  Assassino em série que expôs literalmente as entranhas da sociedade vitoriana;
¢  Com seus crimes, mostrou ao mundo as condições sociais dos pobres no país mais rico do mundo, com a morte de cinco prostitutas, todas seguindo um mesmo padrão de crueldade sem nenhum dinheiro roubado.
¢  Terror popular X influência da polícia X  eleições
¢  A alta sociedade foi forçada a encarar o problema de frente (a existência das prostitutas).

¢  As prostitutas eram mulheres sem opção de trabalho, a maioria alcoólatra, tuberculosa e sifilítica:
                        - forçadas a sair do campo
                        - oriundas de casamentos violentos
                        - acusadas de pequenos furtos
                        - despreparo da polícia X satisfação dos jornais

WUTHERING HEIGHTS (1847),
DE EMILY BRONTË

¢  Devido à morte precoce dos poetas românticos, surge uma nova fase na literatura Inglesa chamada de realista ou vitoriana.


¢  Os estilos literários não mudam de um dia para outro; passam por transformações até assumir uma forma com características próprias de uma fase da literatura.

¢  Fases da Literatura Vitoriana:
¢  - moralista – tenta explicar a queda dos valores da sociedade vitoriana para que esta possa ser compreendida.
¢  - fase esteticista – a arte pela arte. Aumenta a distância entre a cultura letrada e a popular; fomentou o surgimento do romance científico; revitalizou as literaturas infantil e gótica.
¢  - no fim da era vitoriana, houve a busca de uma representação mais naturalista da realidade, pessimismo, chamada também de literatura da decadência.

¢  Obra chave do período: Wuthering Heights, por mesclar elementos das fases moralista e esteticista.

AS IRMÃS BRONTË
¢  Filhas de um reverendo anglicano, província de Yorkshire, tiveram uma vida marcada pela austeridade do pai e isolamento de sua terra natal.

¢  Começam muito cedo a escrever como fuga de seu mundo, criando reinos imaginários repletos de amores e batalhas.

¢  Poema by Currer, Ellis and Acton Bell (1846) - livro de poesia das três irmãs que adotaram pseudônimos que começavam com a primeira letra do nome.

¢  Charlote Brontë (1816 – 1855)
  The professor – (1946) - recusado à princípio por ser curto, publicado postumamente. Todos os outros romances tiveram sucesso.
  Jane Eyre - (aceito e publicado em 1847 – sucesso imediato)
¢  Retrato franco das emoções, primeiro romance inglês a  explorar os recônditos do subconsciente.
  Shirley (1849)
  Villette (1853)

¢  Emily Brontë (1818 – 1848)
  Whutering Heigths (1847) – único romance de Emily, o mais vigoroso dentre as obras publicadas por ela e as irmãs, que fez dela uma das maiores escritoras da Literatura Inglesa.

¢  Anne Brontë ( 1820 – 1849)
  Agnes Grey (1847)

ANÁLISE DE WUTHERING HEIGHTS
Um dos mais representativos romances da literatura Inglesa.

¢  Título: explica-se pelo fato de o vento “uivar” devido à geografia do lugar.

¢  Cenário: sobrenatural, misterioso, causa apreensão.

¢  Revitalização do Romance Gótico, nas seguintes características:

  A casa: símbolo do aprisionamento do ser humano, substitui o castelo;

  A posição da mulher: mulher aprisionada (na casa);
¢  Catherine ao se casar e mudar para Thrushcross Grange, é uma prisioneira que anseia libertar-se em Whutering Heights.

  A loucura: os personagens góticos muitas vezes enlouquecem pela tensão entre sociedade e desejos individuais, nota-se a gradual loucura de Catherine impossibilitada de viver seu amor por Heathcliff.

  O pai: aristocrata opressor.

  Pecado dos pais repassados para os filhos, repetição de eventos e nomes
  Origens: preocupação gótica com os antepassados, figura dos filhos bastardos, discriminação entre classes sociais e enorme presença de órfãos;

  Medo do estrangeiro: no romance gótico, fascinação pelo estrangeiro exótico. No romance vitoriano, causa medo por colocar em risco a estabilidade das convenções sociais rígidas.