Modernismo (1915 - .......... )
Contexto histórico - origem
O Modernismo realizou-se de diferentes formas em cada país Europeu. Não obstante, todos os artistas foram influenciados por um clima de pressão que precedeu a Primeira Guerra Mundial, e continuou exercendo forte impressão mesmo depois de seu término, por suas consequências e pelos temores que despertou no homem. Veja outras novidades do início do século XX:
· Freud: - técnicas de penetração no inconsciente por meio da livre associação de ideias e imagens; o homem sem máscara, nu diante do espelho, busca a verdade.
· Bérgson: importância da intuição e os limites das análises científicas na escavação do “eu profundo”.
· Transformações: emancipação da mulher; amor à velocidade; humor reflexivo de Chaplin; as sequelas da 1a. Guerra Mundial; conflitos e aumento da classe proletária; é a hora do jazz, do charleston, do fox-trot; o comprimento das saias diminuem.
· 1945: a bomba de urânio desaba sobre Hiroshima e Nagasaki.
· Modernismo: era da máquina; do aprofundamento psicológico; da anarquia; da irreverência; do hermetismo poético, na tentativa de ser claro.
Assim, surgiram vários movimentos artísticos, denominados de Movimentos de Vanguarda, trazendo consigo traços em comum, como o sentimento de liberdade criadora, o desejo de romper com o passado (os padrões), a expressão da subjetividade e certo irracionalismo. A maioria desses Movimentos de Vanguarda centralizavam-se em Paris, e de lá expandiam-se para o mundo. Os principais Movimentos de Vanguarda foram:
Movimentos de vanguarda
a) O Cubismo: valorização das formas geométricas. Desenvolveu-se sobretudo na pintura, a partir das experiências de Pablo Picasso e Georges Braque, e consistia na ideia da representação de vários ângulos do cotidiano. Na literatura, o Cubismo é expresso pelo ilogismo, linguagem mais ou menos caótica, simultaneidade de fatos e espaços, fragmentação da realidade como se fossem flashes cinematográficos.
b) O Futurismo: Liderado por Marinetti, o Futurismo é difundido por meio de manifestos e conferências; tem propostas de caráter violento e radical; desejo de abolir o passado e reformular técnicas e temas de Arte. Sintonizado com a temática da guerra, o Futurismo propôs uma Arte dinâmica, com uma imagem veloz do progresso mundial.
c) O Expressionismo: importava pouco as noções de belo ou de feio; o essencial era o registro das expressões do mundo, segundo uma leitura do artista. Admitia uma imagem distorcida, semelhante à caricatura. Destacam-se algumas das principais propostas Expressionistas:
1. A arte não é imitação, mas criação subjetiva, livre. A arte é expressão dos sentimentos.
2. A realidade que circunda o artista é horrível, por isso ele a deforma ou a elimina,criando a arte abstrata.
3. A razão se torna objeto de descrédito.
4. A arte é criada sem obstáculos convencionais, o que representa um repúdio à repressão social.
5. A intimidade e a vivência da dor derivam do sentido trágico da vida e causam uma deformação significativa, torturada.
6. A arte se desvincula do conceito de belo e feio, torna-se uma forma de contestação.
Na literatura, o Expressionismo apresenta linguagem fragmentada, constituída por frases nominais (ausência de verbos), sem sujeito; despreocupação formal: sem rimas, sem estrofes, sem musicalidade. Veja um exemplo de poesia expressionista, do alemão Wilheim Klem:
Cantos e metrópolis, lavinas febris,
Terras descoradas, pólos sem glória,
Miséria, heróis e mulheres da escória,
Sobrolhos espectrais, tumulto em carris.
Soam ventoinhas em nuvens perdidas.
Os livros são bruxas. Povos desconexos.
A alma reduz-se a mínimos complexos.
A arte está morta. As horas reduzidas.
“Para lançar um manifesto é preciso querer: A.B.C., fulminar 1, 2, 3, enervar e aguçar as asas para conquistar e espalhar pequenos e grandes a, b, c, assinar, gritar, blasfemar, arrumar a prosa sob uma forma de evidência absoluta, irrefutável (...) Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios. (...)
Receita dadaísta para fazer um poema
no último manifesto do Dadaísmo – Manifesto sobre o Amor Fraco e o Amor Amargo - , lido em Paris em 12/12/1920, Tristan Tzara propõe:
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
a) O Surrealismo é criado por Breton, dissidente do Dadaísmo, em 1924. É um movimento ligado ao subconsciente e à psicanálise, marcado pelas experiências criadoras automáticas (extravasamento dos impulsos criadores do subconsciente) e imaginário extraído do sonho. Por isso mesmo, põe em segundo plano o pensamento sensível, racional e consciente. Em Portugal, o Surrealismo ganhará força a partir de 1947, quando é formado o Grupo Surrealista de Lisboa.
O Modernismo em Portugal
O Modernismo em Portugal se inicia em 1915, com a publicação da revista Orpheu. Historicamente, vive-se a Primeira Guerra Mundial e, paralelamente, os movimentos de vanguarda artística suscitados pelos sentimentos decorrentes da crise mundial. Particularmente em Portugal, vive-se um período de crise na Monarquia a partir de 1908, quando o assassinato do rei D. Carlos e de seu filho culminam na Proclamação da República, em 1910.
As discussões políticas e econômicas decorrentes da instauração da República reacendem o espírito nacionalista e saudosista do povo português, levando vários artistas a lançarem um projeto de reconstrução da cultura nacional.
Tal projeto é levado a efeito em 1910, com a criação de revistas como A Águia, dirigida por Teixeira de Pascoaes e Jaime Cortesão, contando com a colaboração de Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa.
SAUDOSISMO
Movimento literário, de caráter essencialmente poético, inserido na atividade da sociedade portuense "Renascença Portuguesa" (fundada por Jaime Cortesão, Álvaro Pinto, Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra), e cujo órgão foi a revista "A Águia", propriedade da sociedade a partir de 1912 (2ª série). A Sociedade "congregou muitos espíritos animados no desejo de, agindo no plano da cultura, promover a reconstrução do País, minado pelas dissenções políticas que a instituição da República não viera sanar". Pascoaes (mentor do grupo), afirmou que "o movimento da Renascença Portuguesa se faz e fará dentro da Saudade revelada, a qual se ergue à altura duma Religião, duma Filosofia e de uma Política. Dentro dela Portugal, sem deixar de ser Portugal, poderá realizar os maiores progressos de qualquer natureza." O Saudosismo foi assim encarado como uma atitude perante a vida que definia a "alma nacional" em todo o seu idealismo transcendentalista. A obra "O Encoberto"(onde o autor Sampaio Bruno se debruça sobre a decadência dos povos peninsulares) foi talvez a obra impulsionadora desta nova tendência.
Pascoaes, apoiado por Leonardo Coimbra, preconizou também um Portugal agrário, uma organização municipalista e uma Igreja independente, e identifica o Saudosismo como sendo um Sebastianismo esclarecido, revelado pelos novos poetas.
Fernando Pessoa, colaborador da "Águia", afirma que os poetas saudosistas anunciam o pensamento da "futura civilização europeia", que corresponderia à "civilização lusitana", e é neste clima de exaltação sebastianista que escreve "Mensagem".
A nova tendência, no entanto, como doutrina político-social, não satisfazia os espíritos positivistas, e os dois sócios da "Renascença Portuguesa" - António Sérgio e Raul Proença - acabam por manifestar o seu desagrado na revista, acusando Pascoaes de "utópico e passadista, fechado num lusitanismo xenófobo, provinciano, incompatível com o moderno espírito europeu", gerando bastante polêmica no seio do grupo. No entanto, foi essa dissidência que haveria de conduzir ao aparecimento de "Seara Nova".
Todos os poetas que colaboraram em "A Águia" se podem definir como neo-românticos à exceção de Lopes Vieira e Afonso Duarte, o último modernista.: Este é um grupo de indivíduos intuitivos, expansivos, exclamativos, inclinados à oratória, oscilando entre o historicismo e o populismo, com um certo bucolismo e folclorismo, herdando dos românticos e simbolistas o gosto da paisagem crepuscular e outoniça. Quanto ao tipo de linguagem, os Saudosistas preferem uma expressão mais tradicional e clássica ("verso escultural" de Pascoaes), não se preocupando muito com a análise do subconsciente.
O Saudosismo constituiu a linha de rumo dos filósofos que, dando primazia ao pensamento intuitivo criador de mitos ("quanto mais poeta mais filósofo"), procurando fundamentar uma filosofia genuinamente portuguesa ou, como alguns preferiam, galaico-portuguesa.
O Saudosismo constituiu a linha de rumo dos filósofos que, dando primazia ao pensamento intuitivo criador de mitos ("quanto mais poeta mais filósofo"), procurando fundamentar uma filosofia genuinamente portuguesa ou, como alguns preferiam, galaico-portuguesa.
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